Chico Xavier

 

por Cássia Regina Ferreira dos Santos
editado por Rosana Souto – professora autorizada FES

Nota da FES: No dia 2 de abril, Chico Xavier, o médium brasileiro mais famoso, teria completado 100 anos, se ainda estive vivo.

Seu aniversário foi e ainda está sendo comemorado por todo o Brasil de diferentes maneiras; um filme biográfico foi lançado, com muita expectativa, e a mídia está explorando sua vida por meio de programas especiais e discussões sobre os seus dons espirituais.

Esta data comemorativa é uma ocasião apropriada para postar o estudo de caráter arquetípico de Cássia Regina Ferreira dos Santos sobre a Forget-me-not e Chico Xavier. Esta peça foi apresentada por ela como parte dos requisitos do Programa de Certificação da Flower Essence Society sob a direção de Rosana Souto, do Instituto Cosmos de Terapia Floral, Campinas, Brasil.
 
Leia mais sobre os estudos de caráter arquetípicos aqui.

Para mais informações sobre espiritismo, médiuns e psicografia (estrita automática ), leia aqui.

 

Chico Xavier

Chico Xavier (1910-2002) foi um menino órfão de mãe aos cinco anos de idade. Desde os quatro anos via e comunicava-se com o plano espiritual, ou seja, com mundo dos mortos. Recebia conselhos de sua mãe, Maria João de Deus, e os obedecia. Sofreu muito nos anos em que viveu com sua madrinha. Ela o batia severamente e ele rezava para agüentar sem reclamar, sempre apoiado pelo espírito de sua mãe.

Servindo como ponte para o mundo espiritual

Desde cedo, serviu como instrumento comunicando-se com os mortos e passando as mensagens dirigidas aos entes queridos destes em todos os lugares - do confessionário da igreja à escola.

Foi muito ridicularizado e taxado de louco. Em 1927, com 17 anos, já em um centro espírita, começou a receber mensagens assinadas por Maria João de Deus, sua mãe, com a orientação de um amigo espiritual, Emmanuel.

Logo, espíritos de autores famosos começaram a se manifestar através dele, trazendo grande polêmica ao seu trabalho.

Chico trabalhava durante o dia no caixa de um armazém e, à noite, psicografava poemas de autores brasileiros famosos já falecidos como Humberto de Campos e Augusto dos Anjos, dentre outros. Todo o dinheiro arrecadado com suas obras era doado à Federação Espírita Brasileira e a outras entidades associadas.

A cada dia, podia-se notar nele a total ausência de ambição e orgulho.

A partir de 1940, passou a psicografar cartas de pessoas falecidas, para acalentar o coração de seus entes queridos. Em 1967, esta atividade passaria a ser realizada diretamente em público.

Um “escritor automático” prolífico

Em 1943, escreveu Nosso Lar, psicografando o espírito André Luiz, até hoje, uma de suas obras mais famosas. Neste, o mundo dos mortos é descrito em detalhes e a importância da dedicação ao exercício da caridade para a evolução espiritual é ressaltada. O livro também fornece informações relevantes a cerca do trabalho contínuo executado pelos seres do plano espiritual.

Nesta época, Chico trabalhava de escrevente e já tinha um de seus olhos bastante comprometido – “lia e escrevia livros, estudava, atendia aos doentes, visitavas as famílias, não tinha descanso. Vivia para ser a ponte para o outro mundo se comunicar e para a caridade” (Souto Maior, M.).

“Meu ideal é viver o evangelho de acordo com nosso Senhor Jesus Cristo e servir humildemente ao homem.”

— Chico Xavier

Em 1949, Chico Xavier já tinha publicado 30 livros. Era sensitivo, via e ouvia pessoas falecidas, materializou pétalas de rosa e, muitas vezes, deixava um perfume de rosas por onde passava. Curou pessoas de males físicos - sempre pedindo segredo e descrição, e aliviava o pesar dos corações em desespero.

Foi adorado e/ou criticado, ridicularizado e, muitas vezes, traído por familiares que usavam seu nome para conseguir lucros e vantagens. Chico sempre respondia a isto com seu silêncio ou exaltando uma qualidade daquela pessoa.

Em 1959, mudou-se para Uberaba, Minas Gerais, e começou a dividir o trabalho psicográfico com o médium Waldo Vieira - um escrevia as folhas ímpares e o outro as pares. Chico tinha uma rotina intensa. Fazia reuniões espíritas as segundas, sextas e sábados, outros trabalhos de assistência espiritual nas quartas-feiras e, todas as tardes, ajudava a distribuir sopa para os pobres. Aos sábados, fazia peregrinações pelos bairros da periferia e, aos domingos, gostava de falar do evangelho embaixo de um abacateiro.

Gradativamente, as instalações iniciais foram aumentando e passaram a oferecer tratamento médico e dentário aos necessitados, livraria, abrigo para idosos, sala de costura para doações de agasalhos, biblioteca e um salão para a distribuição de 700 a 1000 pratos de sopa por dia.

Serviço abnegado e idoso estimado

Em 1980, com 70 anos, Chico havia psicografado 183 livros. Aos 84 anos, 375 livros com 8 milhões de exemplares publicados em 15 idiomas. Nesta época ele também havia escrito 10 mil “cartas” de mortos a suas famílias e dado 360 mil autógrafos. Ao todo, Chico Xavier deixou um acervo de 412 livros psicografados.

Sua casa vivia rodeada por centenas de pessoas que iam buscar uma palavra, um olhar, um carinho daquele homem pequeno, quase cego que os recebia, até de madrugada, sempre com um sorriso, paciência e amor.

Mesmo no final de sua vida, com o corpo físico já bem frágil, Chico Xavier esforçava-se para estar presente nas reuniões a fim de receber alguma mensagem que pudesse diminuir o pesar de um coração ali presente.

Forget-Me-Not: uma ponte entre duas dimensões

A Forget-Me-Not (Myosotis silvatica) faz parte da família Boraginaceae, uma família botânica cujas qualidades sutis incluem o trabalho do pesar, do alívio do peso da encarnação terrestre e da tristeza internalizada profundamente no coração, por meio do desenvolvimento da nossa consciência espiritual. É uma flor azul celeste, anual, que pode crescer até 10 cm e retorna pela propagação de suas sementes, cheias de luz, através do vento. É uma flor espiritual fazendo-nos sentir a ligação da terra com o céu. Ela é uma ponte entre estas duas dimensões.

Chico Xavier amenizava a dor da separação destes dois mundos, tirando-nos o sentimento de solidão e aumentando nossa percepção para a conexão com membros de nossa verdadeira família humana. Ele foi o nosso grande consolador conscientizando-nos da imortalidade do nosso espírito e de que nunca estamos sós. Assim como a Forget-Me-Not, Chico Xavier foi o exemplo vivo a nos guiar “em direção a um amor maior pela família humana e a uma maior percepção consciente da inacreditável profundidade, beleza e possibilidade dos relacionamentos entre almas”. (Kaminski P. & Katz R.) 

Bibliografia

1 - As vidas de Chico Xavier – Marcel Souto Maior

2 - Kaminski, P. & Katz, R. – Repertório das Essências Florais – Ed. Triom,  1a edição, São Paulo, 1998

3 - Kaminski, P. - Flores que curam, como usar essências florais – Ed. Triom, 1ª  edição, São Paulo. 2000.

4 – Vieira, R.S.S - Forget me not - Desenvolvendo os Relacionamentos da Alma através dos Sonhos e da Memória – www.flowersociety@org

5 - The Audubon Society Field Guide to North American,Wild Flowers – Eastern Region

Fotos:  Forget-Me-Not – por Richard Katz


Cássia Regina Ferreira dos Santos é graduada em Educação Física pela UNESP/Rio Claro e especialista em Técnicas corporais pelo Centro Esportivo da Universidade Técnica de Munique – Alemanha (Sportzentrum der Technischen Universität München – Germany ). Tem uma vasta experiência em Terapia Floral, tendo participado de inúmeros cursos e treinamentos com produtores e pesquisadores de diferentes sistemas florais no Brasil e no exterior. Cássia foi aluna da turma de 2003 do Treinamento de Practitioners da Flower Essence Society  - Florais da Califórnia - realizado em parceria com o Instituto Cosmos de Terapia Floral, em Campinas. No final de 2007 ela concluiu seu processo certificação pela FES, conquistando o título internacional de Practitioner.. É professora autorizada dos Florais de Bach Healingherbs e dos Florais da Califórnia – atuando na cidade de Rio Claro, São Paulo. Contato Cássia: cassia221@hotmail.com


 


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